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31 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Amarração amorosa: por que eu não faço e não recomendo

Entenda por que eu não faço amarração amorosa: livre-arbítrio, lei de retorno e o custo de esperar alguém. Veja o que buscar no lugar para cuidar de você.

Lucila Helena Celete

Lucila Celete · Terapeuta holística · Cotia/SP e online

Se você chegou até aqui, talvez esteja vivendo uma dor muito grande. Alguém foi embora, ou nunca escolheu você de verdade, e a saudade está tão forte que qualquer caminho parece valer a pena. Aí aparece um anúncio, uma indicação, uma promessa de que tudo pode se resolver com um ritual.

Eu não vou te julgar por ter pensado nisso. Querer ser amada por quem a gente ama é das coisas mais humanas que existem. Mas eu quero ser honesta com você: eu não faço amarração amorosa e não recomendo que ninguém faça.

Neste texto eu explico o porquê, sem medo e sem sermão, e mostro o que eu ofereço no lugar, para cuidar do que realmente está doendo.

O que as pessoas chamam de amarração amorosa?

É o nome dado a rituais feitos com a intenção de ligar uma pessoa a outra contra a vontade dela, ou sem que ela saiba. A ideia é atar a vontade de alguém, para que essa pessoa fique, se aproxime ou deixe de se interessar por outras.

Os anúncios costumam vir cheios de prazos, certezas e fotos de casais felizes. E falam diretamente com quem está sofrendo, o que torna tudo ainda mais tentador.

Por que eu não faço: o livre-arbítrio

Sou dirigente de um templo espiritualista em Cotia, e na visão espiritual em que eu vivo e trabalho, existe um princípio que não se negocia: cada pessoa tem o direito de escolher o próprio caminho. Isso se chama livre-arbítrio.

Quando alguém tenta dobrar a vontade de outra pessoa, mesmo por amor, está tirando dela esse direito. E um amor que não foi escolhido livremente não é amor. É uma relação sem consentimento, por mais bonita que pareça por fora.

Pense por um instante: você gostaria que alguém fizesse isso com você? Que a sua vontade fosse mudada sem você saber?

A lei de retorno, sem medo

Em muitas tradições espirituais existe a ideia de que tudo o que a gente movimenta volta para quem movimentou. É o que chamam de lei de retorno, ou lei de ação e reação.

Eu não falo disso para te assustar. Não acredito em espiritualidade que funciona na base do medo. Falo porque é uma questão de responsabilidade: se eu uso a minha energia para interferir na vida de alguém, eu me torno parte daquilo, com tudo o que vem junto.

E tem um lado muito concreto nessa história. Um ritual desse tipo cria um vínculo, e vínculo é uma via de mão dupla. Quem tenta atar o outro acaba atando a si mesma. A sua energia, a sua atenção e a sua esperança ficam ancoradas naquela pessoa, e a sua vida fica em pausa, esperando.

O custo que quase ninguém conta

Além do princípio espiritual, existe um custo prático que costuma ficar escondido:

  • O tempo de espera. Semanas, meses, às vezes anos esperando um sinal.
  • O dinheiro. Muitas vezes, depois do primeiro ritual, vêm pedidos de "reforço", cada vez mais caros.
  • A autoestima. Ficar com alguém que não escolheu você por conta própria mantém viva a dúvida de ser suficiente.
  • A relação em si. Uma relação construída sobre controle tende a repetir controle.

Desconfie de qualquer oferta que tenha estas características: prazo marcado para a pessoa aparecer, promessa de que vai dar certo, pedidos de valores crescentes, ameaças do tipo "se parar agora, vai dar errado" e exigência de segredo absoluto.

(Exemplo ilustrativo) Imagine a Débora, que pagou por um ritual desse tipo depois de um término. Nos meses seguintes, deixou de sair, recusou convites e checava o celular a cada hora, esperando o ex dar notícias. Ela não estava vivendo um reencontro; estava vivendo uma espera.

O que buscar no lugar

A dor que leva alguém a pensar numa amarração é real, e merece cuidado de verdade. Estes são os caminhos que eu ofereço:

  • Corte de laços. Para soltar o fio de dor, de apego e de obsessão que te liga à pessoa, sem desejar mal a ninguém. Ele não apaga o amor; tira o sofrimento que vem junto.
  • Amor-próprio. Para reconstruir a sensação de valor que a rejeição abalou. É um trabalho de dentro para fora, e ele muda a forma como você se relaciona com todo mundo.
  • Harmonização de casal consentida. Quando os dois querem continuar juntos e estão desgastados, a harmonização cuida do campo do casal. Mas só quando existe vontade dos dois.
  • Tarô terapêutico. Não para vigiar a vida do outro, mas para entender o que essa relação desperta em você.
  • Acompanhamento psicológico. Um psicólogo pode te ajudar a atravessar o luto do fim.

Um exercício para hoje: a carta para uma amiga. Imagine que uma amiga muito querida está vivendo exatamente o que você vive. Ela quer fazer um ritual para ligar alguém a ela. Escreva uma carta para essa amiga, dizendo o que você diria. Depois, leia a carta em voz alta, trocando o nome dela pelo seu. Muitas vezes a gente sabe cuidar dos outros muito antes de saber cuidar de si.

Para os dias seguintes, o decreto de amor-próprio pode te acompanhar.

E se eu já fiz uma?

Sem culpa e sem medo. Você fez o que conseguiu com a dor que sentia. O que dá para fazer agora é desfazer o vínculo que você criou, recolher a sua energia e seguir.

Um corte de laços bem conduzido cuida exatamente disso. E o decreto de perdão ajuda a fazer as pazes consigo mesma.

Quando buscar ajuda

Se a saudade está tomando conta da sua vida, se você pensa na pessoa o dia inteiro ou se já tentou caminhos que te deixaram mais machucada, vale conversar. O corte de laços energéticos é o cuidado que eu mais indico nesses casos, e a página sobre apego ao ex pode te ajudar a entender o que você está vivendo. Se vocês dois querem se reencontrar, a harmonização de casal é o caminho respeitoso. Atendo em Cotia e online, e tudo o que você me contar fica entre nós.

As terapias holísticas são complementares e não substituem acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico. Se a dor está insuportável, ligue para o CVV no 188, 24 horas por dia.

Perguntas frequentes

Existe amarração "do bem"?

Não do jeito que ela costuma ser vendida. Qualquer ritual feito para mudar a vontade de alguém interfere no livre-arbítrio, mesmo com amor. O que existe de respeitoso é a harmonização, quando os dois querem.

E se ele só estiver confuso e, no fundo, me amar?

Pode ser. Mas a escolha continua sendo dele. Você pode conversar, dizer o que sente e, enquanto isso, cuidar de você. Se ele escolher voltar, que seja por vontade própria.

Você faz algo para afastar uma pessoa de outra?

Não. Eu não interfiro na vontade de ninguém, nem para unir nem para afastar. O meu trabalho é com a pessoa que me procura: a energia dela, as emoções dela, os vínculos dela.

Já fiz uma amarração. Vou sofrer alguma consequência?

Eu não trabalho com medo e não vou te assustar. O que eu te digo é que dá para desfazer o vínculo que você criou, com consciência e com carinho por você mesma, e seguir em frente mais leve.

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